Categoria: Equipe ATS

  • Tio Randal: Uma Vida Dedicada ao Desenvolvimento Humano através da Recreação

    Sua experiência com atividades recreativas na juventude foi de participar em grupos de jovens em contexto de formação religiosa, onde já demonstrava aptidão para liderança e responsabilidade nas atividades. 

    A trajetória profissional de Randal Juliano na recreação começou, no entanto,  aos 18 anos, quando participou como monitor do Acampamento Terra do Sol pela primeira vez.

    O que seria apenas uma temporada de descoberta tornou-se uma carreira sólida, fundamentada na crença de que o aprendizado mais potente acontece fora das salas de aula convencionais.

    “O ATS me abriu um mundo novo da recreação, da educação não formal e da educação pelo jogo. Foi ali que eu me descobri.”

    A Profissionalização e o Olhar Acadêmico

    Diferente da visão comum de que a recreação é apenas um “passatempo”, Randal buscou a especialização contínua. Além da graduação em Educação Física, onde focou no desenvolvimento e psicologia infantil, ele atuou como professor no SENAC São Paulo por dois anos e meio, ajudando a formar novos profissionais da área e desenvolvendo material bibliográfico para a instituição.

    Sua experiência estende-se por grandes hotéis de lazer e agências de turismo pedagógico, onde coordenou eventos para até cinco mil pessoas e roteiros históricos em cidades como Monte Verde, Ubatuba, Paraty e Ouro Preto.

    A Experiência Internacional e o Modelo Americano

    Nos anos 2000, Randal atingiu o ápice de sua formação prática ao trabalhar em summer camps (acampamentos de verão) nos Estados Unidos. No tradicional Camp Mason, em Nova Jersey, ele especializou-se em esportes de aventura, como arvorismo, rafting e escalada, para jovens de 07 a 17 anos.

    Essa vivência internacional gerou pesquisas apresentadas no Encontro Nacional de Recreação e Lazer (Enarel) sobre o perfil dos acampamentos americanos e o treinamento de monitores, trazendo uma visão global para sua atuação no Brasil.

    “É nos momentos de lazer e de recreação que a criança e o jovem estão mais abertos à aprendizagem e a adquirir conhecimento sobre as coisas.”

    O Retorno e o Legado no ATS

    Após um período dedicado ao magistério público e à vida familiar em Sorocaba, Randal retornou ao ATS em 2017. Hoje, une sua experiência como chefe escoteiro à coordenação das atividades do acampamento, reforçando valores como autonomia, liderança e autoconfiança.

    Para Randal, o acampamento é o cenário ideal para praticar a disciplina de forma lúdica — desde a organização do próprio quarto até o saber ganhar e perder em um jogo.

    “Sou a prova viva de que o tempo livre bem vivido e bem aproveitado contribui demais para a formação do indivíduo. O ATS está aí para provar.”

    Perfil:

    • Nome: Randal Juliano Gonçalves (Tio Randal).
    • Formação: Educador Físico, Especialista em Recreação e Lazer.
    • Experiência: Ex-professor do SENAC e Monitor Internacional (YMCA/EUA).
    • Atuação: Coordenador de Recreação e entusiasta do Movimento Escoteiro.
  • Entrevista com Tio Manolo: Uma Jornada de Dedicação ao Acampamento Terra do Sol

    Entrevista com Tio Manolo: Uma Jornada de Dedicação ao Acampamento Terra do Sol

    A Chegada

    O ‘Tio Manolo’ chegou ao Acampamento Terra do Sol (ATS) em 1995. Esse convite chegou durante um período pessoal desafiador, e o Tio Dumas, que na época tinha a mesma responsabilidade que eu tenho hoje no ATS me sugeriu: ‘Por que não vem pescar aqui na Valkilândia? Temos um lago’. A Valkilandia foi a sede do ATS entre 1988 e 2007, em São José dos Campos. Decidi aceitar o convite.

    Ao chegar, encontrei um acampamento em plena temporada, repleto de crianças e atividades. Fui apresentado ao Toninho, nos cumprimentamos e logo peguei minha vara de pesca para aproveitar o lago. Enquanto pescava, observei a energia contagiante da garotada correndo pelo local. Aquela atmosfera me revitalizou. Almocei e jantei com a equipe, e naquele mesmo dia percebi que queria fazer parte daquela coisa mágica.

    Os Primeiros Passos como Monitor

    Tive oportunidade de servir ao Exército, durante minha juventude, ao que devo muito da minha formação. Lá aprendi a cooperar e ter disciplina, características que me ajudaram muito na vida. Quando me propuseram elaborar uma atividade, tinha mil ideias na cabeça. Propus no fim de criar uma ‘pista do Rambo’ – uma pista de obstáculos para as crianças. A atividade foi um sucesso. Naquele momento eu havia passado no teste e recebi o convite para me tornar monitor. Assim, iniciei minha jornada no ATS, aprendendo na prática com colegas como Walter, Angela, Gordo e Carlão. Não tinha experiência prévia com acampamentos, mas mergulhei de cabeça, observando e absorvendo cada detalhe. Após a primeira experiência naquela semana, voltei para casa, mas senti um vazio. Liguei para o Toninho e pedi para retornar. Fiquei mais uma semana participando de todas as atividades, até ser oficialmente integrado à equipe.

    Crescimento e Família no ATS

    “De monitor, tornei-me coordenador de atividades dos grupos mais jovens em 1998. Foi nessa época que conheci a Gabriele, indicada para reforçar nossa equipe. Trabalhamos juntos durante toda a temporada de julho daquele ano, e nosso relacionamento floresceu. Hoje, ela é minha esposa e mãe de nossos dois filhos, que também seguem o legado do ATS. Minha filha, Manu, já atua na programação do acampamento, e meu filho, ao completar 18 anos, se tornará monitor. É uma honra ver minha família fazendo parte dessa tradição.”  

    Compromisso e Legado

    “Nos últimos 30 anos, dediquei-me a criar jogos e dinâmicas que fortalecem o espírito do ATS. Trabalhei lado a lado com o Tio Walter, trazendo inspiração dos escoteiros, e preservamos atividades históricas idealizadas pelo Toninho, Dumas e Gordo e muitas atividades ainda do tempo do Cláudio Peralta, que fundou o ATS lá nos anos 1950. Tenho uma pasta repleta de atividades de todas as eras do acampamento – um tesouro que mantém viva nossa essência. O ATS mudou minha vida: encontrei propósito, família e uma comunidade que chamo de minha. Sou grato eternamente pela oportunidade, e retribuo vestindo a camisa do acampamento com orgulho. Faço tudo pelo ATS, assim como ele fez – e ainda faz – por mim.”  

    A importância da brincadeira na vida

    A importância da brincadeira na minha vida remonta à infância. Desde criança, sempre fui muito brincalhão, adorava fazer piadas, divertir-me e interagir com os amigos. Cresci em uma época em que as brincadeiras ao ar livre eram parte essencial do cotidiano. Hoje, vejo que as crianças têm menos oportunidades, seja por questões de segurança, mudanças sociais ou pela falta de envolvimento dos pais. Na minha infância, até os 12 anos, passava horas na rua brincando de pega-pega, esconde-esconde e outras atividades que marcaram minha geração.

    Essa paixão pelas brincadeiras permaneceu na vida adulta. Sempre gostei de interagir com crianças, inclusive com os filhos dos meus amigos. Como sou pai mais velho, essa conexão se tornou ainda mais significativa. Quando conheci o acampamento, identifiquei-me imediatamente com o ambiente lúdico. Foi uma oportunidade de resgatar brincadeiras da minha infância e compartilhá-las com os jovens. O acampamento valoriza atividades como corrida, pega-pega e esconde-esconde, o que reacendeu meu lado criança e me permitiu reviver momentos especiais.

    Além disso, o acampamento tornou-se um contraponto ao meu trabalho. Sou restaurador de antiguidades, uma profissão que exige concentração e dedicação quase ininterruptas, de segunda a domingo. Aos domingos, reservo um tempo para descansar, mas a rotina é intensa. Por isso, nos períodos de férias escolares, em janeiro e julho, quando meus clientes viajam e o trabalho diminui, dedico-me ao acampamento. Lá, reconecto-me com a leveza da infância, o que serve como uma válvula de escape saudável.

    Embora hoje o acampamento envolve também responsabilidades como monitoria e organização, mantenho o mesmo espírito brincalhão. Essa dualidade entre a seriedade do trabalho e a alegria das brincadeiras é fundamental para meu equilíbrio. A brincadeira, para mim, não é apenas uma lembrança do passado, mas uma prática que renova minhas energias e me permite inspirar os jovens.

    Filosofia e Gratidão

    “O Acampamento Terra do Sol está em minha alma e coração. Sou comprometido, apaixonado e eternamente agradecido. Continuarei ao lado do Toninho, mantendo essa chama acesa para as próximas gerações. Afinal, como costumo dizer: ‘O ATS não é um lugar – é um legado’.”